O caminho – Parte II

 

Lá se foram 6 meses, entre a saída do último emprego formal e a coragem para mudar o rumo. O que eu fiz nesse tempo? Tudo. Nada. Quase nada. Quase tudo!

Como você pode imaginar, esse tempo foi marcado por oscilações, por momentos de muitas dúvidas e de grandes descobertas. Vou te contar exatamente como foi.

Era metade de 2015, quando saí da multinacional, uma fase em que as demissões estavam acontecendo em massa. Percebi mesmo a gravidade do problema quando mandei vários currículos e não consegui uma entrevista sequer.  Quanto mais o tempo passava, mais a autocobrança me fazia companhia.

A vida estava de ponta-cabeça. Além da inquietação na vida profissional, a pessoal não andava bem e passava por uma mudança notável no corpo (devido às alterações da tireoide, foram 10kg a mais em pouco tempo).

O “estalo” para a minha mudança de vida não veio de uma forma passiva. Fui em busca de ferramentas para entender a minha inquietude, para me descobrir. E encontrei alguns conteúdos muito bons na internet, que me ajudaram bastante. O mais importante deles foi o Programa “Crie seu caminho” (sugestivo, não?).  Como não tinha condições de pagar pelas aulas, fiz as gratuitas com bastante empenho. E super recomendo!

Em algumas tarefas escritas, tive meu primeiro insight. Vi com ainda mais clareza o que realmente não me fazia bem e, aos poucos, ganhei força para desbravar o meu caminho. Naquelas folhas de papel escritas à lápis ficou registrado o que eu sentia. Já, o que eu faria com essas descobertas, exigiria CORAGEM!

Tarefas do Programa Crie Seu Caminho que guardo e releio até hoje.  Escrevendo, aprendi que as respostas sempre estão dentro da gente!

Com tempo sobrando e motivada por um amigo, fui visitar meu primeiro emprego em Curitiba, sem pretensão. Colocamos os papos em dia mas, ativa como sou, acabei ajudando em algumas tarefas já no primeiro dia. Fui num segundo dia, terceiro, quarto… e assim se passaram 2 meses de trabalho.

Não fui lá pensando em salário e, de fato, não recebi por isso. Mas ganhei muitos aprendizados e o que mais precisava: CERTEZAS! Foi nessa empresa, de decoração de mesa, que relembrei o quanto gostava de trabalhar com cores e misturar estampas, texturas, tonalidades!

Dezembro de 2015 havia chegado e estava na hora de ir para minha cidade natal, de estar em família. Mesmo depois de entender melhor o que sentia, ainda não havia nada de concreto.  De fato, 2016 ainda não existia para mim, não tinha plano algum para o ano que estava por vir. 

Mas foi lá na minha terrinha (Toledo-PR), com o apoio do meu irmão, que dei os primeiros passos. Foi ele que, percebendo a minha angústia por ter passado meses sem um rumo, fez eu aceitar a minha verdade.

A verdade era que, embora eu gostasse da minha área de formação, sentia não que estava entregando o meu melhor pro mundo. Simplesmente não era o que me deixava leve, não era meu propósito de vida. Eu sempre fui arteira (leia-se, artesã) – ele e a família sabiam disso – e os trabalhos manuais sempre fizeram parte da minha vida como hobby.

Então, decidi seguir o conselho do meu irmão e busquei novas possibilidades! Depois de algumas pesquisas, listei em uma planilha o que poderia fazer com as habilidades que tinha com as mãos (produtos mesmo). Novamente, colocar as possibilidade “no papel”, de forma organizada, me ajudou a olhar para o problema de forma prática. (Hoje é ótimo revisitar essas primeiras ideias!).

O segundo passo em diração à mudança de vida que queria, foi testar alguns produtos da lista. Entre costuras e marteladas, vi o trabalho manual preenchendo meus dias de “férias” de uma forma especial e, aos poucos, os produtos surgindo!

 

Técnica de “String Art”: uma das primeiras artes testadas, rumo ao caminho que estava buscando. Não basta pensar, é preciso fazer, testar, errar!

O último produto da lista me chamou muito a atenção. Talvez pela simplicidade, pela forma diferente vista em um acessório. Então, comprei o primeiro cordão e levei um bom tempo para fazer e entender aquele primeiro nó. Mesmo em um cordão cru simples, aquela pulseira com uma pegada navy me encantou! Fugia do que conhecia de acessórios, até então, e me despertou a vontade de repetir mais vezes aquele nó com materiais diferentes, com cores…

Pulseira Naval: a primeira da linha de produtos e, até hoje, a cara da Arte ao Vento! Na foto, a primeira versão feita no início de 2016, ao lado de uma das nossas versões posteriores (colorida, claro!).

Na segunda pulseira, já passei a utilizar cordões coloridos e foi aí que me senti que estava mais perto do que gostava de fazer. Foi uma sensação ímpar, como se tivesse aprendendo a andar! E assim, numa busca ativa e empolgante, 2016 já me trazia um novo ânimo. Tinha algumas respostas, era o começo do MEU CAMINHO!

Mas, e aí, como fazer de uma paixão, uma profissão???

Finalizo com a sabedoria de Osho, que me motivou a nadar contra a maré e buscar o meu caminho:

 

“Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.  Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências”.

(Osho)

(continua)

 

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